terça-feira, 4 de dezembro de 2007

Hino Nacional

Cantar livre como um pássaro;
livre de nacionalismos, unido em um só planeta;
livre de moralismos, unido por algo naturalmente comum;
Cantar por amor, livre do simples nacionalismo;

Não me levanto durante hinos.
É como um grito de raiva,
grito de posse. É grito de torcida contra juiz!
Me cento, calado e penso...

Quem me vê, não está atento,
canta mais não esta por dentro...
O que diz a canção loro?
“Foda-se! O que importa é o timão”.
“Foda-se! O que importa é o timão”.
“Foda-se! O que importa é o timão”.

Estou por fora do que diz a canção.
Cento, não me orgulho em vão...
O que realmente é nação?
É som antes de jogos?
É obrigação nas escolas?
É devoção nos quartéis?
É alienação do povo?
É separação do mundo?
É o início das subdivisões?
É o que existe para imaginar;
para imaginar uma união cheia de fronteiras?

sábado, 10 de novembro de 2007

Para o Agora

Pensando em outras coisas e não distraído;
vivo fundido sons, odores e paisagens.
Entre o desligado e o ativoimagino outras mensagens...

E eles saem pelo portão.
Como capim ao vento no final de uma planície ensolarada,
choram e sorriem e se rebaixam diante da jornada.
Saem como um corpo de multidão...

E o individuo é dependente do olhar esculpido!
Vão para suas poltronas diante do ideal da idealização.
Sonhos de consumo onde o ego faz pulsar a ilusão
de um carnaval comercial e descolorido...

Fiz uma curva de noventa graus,
atropelei cadáveres eternos.
Comi o meu bem e meu mal
num banquete além do céu e do inferno.

quinta-feira, 8 de novembro de 2007

Velhos do Interior

Homens “inda” vivos!
Caricaturas de fotos antigas;
de antes de perdermos a noção do declínio.
De quando o interior não ardia em vícios!

Há algumas estações atrás...
Onde o alimento não era velado em conserva.
Antes de o tóxico substituir a merda!
Quando pura era toda terra, carne, fruta e erva!

Quando?
De um mundo outro, donde emanam iguais que avisam.
Resmungam até ficarem roucos,
até os tolos os tacharem de loucos.
Enquanto são poucos os que seus dizeres ruminam...

quarta-feira, 7 de novembro de 2007

Caminhada no Inferno

Caminhei num sonho!
E apezar dos meus passos,
a paisagem que ia para traz.
Caminhei a passos rasos.

Tudo negro avermelhado,
arco ires infernal;
ocupa todo o céu:
É larva: Todo o tudo!

Não existe medo ou dor!
Caminho até um belo trono.
Nele repousa um homem,
um deus ocioso cercado de súditos.

Então ele amedronta e tenta;
eu olho tudo e penso:
“Pelo amor da natureza,que sonho mais besta”
Então ele se irrita, assusta e grita.

Um grito tão forte;fui jogado de costas!
E a paisagem vai pra frente! Vôo de costas!
Velocidade alucinante;
lançado para longe: Longe desse sonho inocente.

terça-feira, 6 de novembro de 2007

Seca

Penso desligado,
ando num mundo e sem religião.

Como ter fé absoluta?
Como negar todas as outras?
Negando todas!

Viajo no mundo!
Nos pesadelos chamo por deus.
Nos sonhos encaro o diabo.

Acordo e vejo dois conceitos encravados;
numa moral seca estão enraizados!

Estranhas

As pessoas são estranhas,
todos são estranhos
Eu sou estranho,
Sou até as entranhas!

Rostos sem expressão,
escondidos atrás de maquiagens.
Olhos que enxergam apenas a imagem,
preferem machucar o coração!

Não quero acreditar mais tudo não cala.
Discussões e brigas no casarão.
Festejos mágicos na senzala.
As crianças assistem tudo do porão!

Pegadas ao Vento

Olho pra trás...Olho pra trás...
Tento achar as pegadas que deixei...
Olho pra trás e vejo a poeira subindo com o ar;
é o vento levando a minha história.
Ando só, no meu caminho comigo mesmo...
Eu não tenho herdeiros.
Eu herdei a solidão por quase todos os dias.
Eu não sinto falta de um aperto de mão,
mas eu sinto falta de não ter caminhado pela lua.
Sinto falta de não ver meus passos sobre o mar,
e o que me resta é imaginar,
o vento levando a poeira de minhas pegadas ao mar.
Mas o mesmo vento que apaga minha história
é o que me leva a uma nova história,
a um novo lugar sem ninguém a minha espera
ou ninguém que irá sentir saudades de mim quando eu parti.

em parceria com Marcelo Oliver

domingo, 4 de novembro de 2007

Sacrifício

Bem no meio da testa,
Uma marretada certeira...
Mato-o rápido e
Volto a existir.

Sinto sede,
a garganta seca...
Afogo-o.
Respiro!

Sinto fome,
O estômago aperta...
Como-o.
Sacio-me!

Sinto frio,
O idealizado desmorona...
Queimo-o.
Não paro de sorrir!

quinta-feira, 1 de novembro de 2007

A criança

Bela e um tanto mais próxima da liberdade!
Tanto esse, que pode esvair.
Observa o consumo, a vaidade, a insanidade.
Vai aprendendo a mentir!

Vai ouvindo respostas
com expressões bélicas.
Vai ouvindo a verdade absoluta
e perdendo sua verdade bela.

Na terra onde prazeres são mascarados,
ela se perde em uma neblina de medo.

É figurante em um filme sem enredo,
num mundo de pensamentos confinados.

Passa a ter sonhos cerrados!
Onde nem uma gota de magia pode entra.

Ela fica longe da bondade
e aprende a se trair.
Assiste a diversão da maldade
e pensa em se divertir.

É refém das respostas
sussurradas sem cautela.
Torna-se escrava de uma luta
para entrar em uma cela.

Em bosques ela não pensa em adentra;
só o ar condicionado do desejo ela consome!

Tudo olha com sede e fome;
mas sente medo da chuva!

Ela aprende a idealiza.
E esquece de se imagina!

Além...

Num tempo distante, num lugar futuro!
Não sei onde, é lá que se imagina!
Imagina algo inominável, ao sul do nada!

Gritando no espaço!
Cheio de vácuo e som!
Múltiplas cores sem visão...
Quem dirá uma mera explicação?

Antes dos tijolos do universo,
depois dos limites donde pensa a multidão!
Além da expressão dos versos.
É menor e maior que o nada!
Quem se propõe a imaginar?

Paixão

Há tanta diferença;
e mais impossibilidades.
Muros ocidentais;
barreiras orientais.

Amor impossível.
Amor vivido.
Nada platônico.
Sim escondido!

Toques e beijos ardentes!
Néctar da flor rosa e quente,
Flechada certeira,
gemido atraente!
Agora uma só gente!
O meu desejo janta,
alimento minha caveira
e o animal do eu canta!

Nos olhos satisfação,
Sorrisos dançando!
Flor já desabrochada!
Desejo calado!
Prazer lascado!
Amor é tesão.
É cama alucinada,
é beijo ardente e lábios suados de paixão!

É o impossível acontecendo escondido.
É o imaginado e vivido.

Jovem Morena

Refém de uma aventura perene.
A sede morta a álcool,
a fome escondida atrás da loucura.
Vinte e quatro anos e esquecida!

Uma postura serena,
sorrisos ou caretas entorpecidos.
É mãe sem ter sido filha!
É gata da rua.

Esmola! Uma moeda por uma dose consolo!
É tudo que recebe de mãos beijadas.
É tudo que sempre recebeu de mãos beijadas.
Moedas para seus venenos que aliviam!

quinta-feira, 11 de outubro de 2007

O Sorriso da Imaginação.

Mais um dia, um dia comum!
Mais um dia, um dia algum!
Mais um dia, um dia nenhum!
Mais um dia, um dia um!
Um dia depois de outro,
um dia depois de um.

Um dia em vigília pós o outro,
um dia dormindo após algum.
Sonhos após outros.
Sonho e vigília até que morro.

Sonhos, e não são poucos!
Vigília ao dormir,
sonho em vigília!
Acordei em sonhos até recair.

Dentro de um templo de paz sem entrada.
Sonhei por imaginar!
Era um templo de paz sem muros!
Sonhei sem idealizar!

Rumo à loucura eu me aventuro,
vou até o profundo;
vale a pena arriscar,
vou especular afundo.

Dormir e acordar;
sonho sem desejo;
sonho acordado,
onde nada almejo!

Sonho nada idealizado!
Sonhos cada vez mais surreais!
Sonhos transviados,
nada, nada materiais

Sonho nada especificado!
As vezes sem entorpecer,
para com a loucura interagir.
Imaginando a um sorriso de enlouquecer;
não, não quero resistir!
quero vê-la sorrir!

Ao sétimo trago

Então sobe até a gente;
mostra que tudo mente!
Consciente e dormente?
Tanto faz! Tudo agente mente.

É sopro de outra percepção,
é fumaça na cabeça;
é visão, menos concentração!
Mais imagine. Mais esqueça.

É sonho onde posso escrever,
para depois ler!
O que cada rima quer cantar,
para a gente ruminar!

Jovens Velhos

Jovens velhos que tendem a envelhecer jovens,
jovens crianças em fase de adaptação...

Jovens melancólicos,
vestem luto!
Saltam do palco
sobre os braços dos amigos

Na peita figuras diabólicas.
Para a lua admiração, uivos.
Dançam como paranóicos,
solos altos e turvos.

Cheiram antigos talcos,
tempos curvos!
Psicodélicos e alucinógenos,
tempos turvos!

Jovens admiradores,
Do passado belo!
Curtem o bom e velho, usam-no como elo
para movimentos inovadores!

Guitarras, baixos e tambores,
gritando abaixo aos morais valores!

sábado, 6 de outubro de 2007

A Casa dos Meus Sonhos

Através de uma portinhola;
camuflada entre a decoração das paredes.
Onde de olhos fechados vedes;
e numa casa mágica tudo se desenrola.

É um sonho turvo e claro.
A música alucina!
O ar pira!
Todos rumo a loucura, é claro!

Felicidade dolorosa?
O bem estar é incomum.
Todos não entendem (e sem problema algum).
Então a estadia me parece proveitosa!

O grupo era ingênuo; inocente
Eu já estava acostumado;
a loucura eu já tinha questionado,
e eles estavam tão deslumbrados!

Eu abro meus olhos e escrevo o que tenho sonhado!
Expressão do inconsciente
Uma espécie de liberdade da mente!
Estive com o grupo que sou (no meu próprio conjugado)
Um sonho surreal, cheio de significado.

Por mim mesmo imaginado!
Criar por criar!
Expressar por expressar!
Tudo assimilado ao que eu faço acordado.

O Mestre do Sonho

Velho cartunista;
surge em sonhos
Desenhando leões risonhos!
Além da idade materialista,
Além do tempo do rebanho,
além do império consumista!

Sussurrou para o poder de expressão.
Advertiu sobre a ideologia,
expôs os danos da falta de magia;
ensinou as prisões da alienação!
Caminho pra fora da agonia
Mágico e sem superstição!

Contei, sonhando, sobre o encontro!
Mas não me ouvia, nem discutia,
outra coisa o conduzia.
Descia as escadas rolantes e ponto!
No sonho não coube mentira.
Então viro e com ouvidos atentos defronto!

A Ida

Na trilha para si mesmo
alguns passos já experimentei.
Grandes e largos passos a esmo!
Rumo ao fundo do horizonte sem medo
Realmente me arrisco!
Mas o passado, agora, não pode influenciar.
E o que não aconteceu não mostra onde estarei
rumo ao interior do bosque vou trilhar

Ao tempo não vou me curvar
é cousa inventada por nós mesmos;
mas dele, agora usufruirei
tentando compreender os contextos.
Dentro desse frágil eixo, consciente não me queixo!
Eita mundo controlado todo por leis!
Agora, no imaginário posso voar e não idealizar.
Para além de verdades absolutas me dei.

Para daqui quarentas anos

Quero guardar este pedaço de papel
até meus cinqüenta e sete anos.
Para me lembrar dos beijos,
sem nunca esquecer o mel.

Onde uma eternidade durava vinte segundos.
Quero, se sobreviver a vida,
estar ao lado de uma obra querida!
Que consumiu meu físico,
que engoliu meu além!
Imaginar meu além do aquém,
feliz e triste por respirar o meu ar

Compreensível;
Incompreensível;
incoerente;
incorrigível;
próprio individual!

Como um poema desestruturado
Rumo para além do meu bem e do meu mal
Fecho este carta defecando como um rei
refletindo em um trono pós tudo que já foi imaginado
Onde todo mundo é rei!
E todo mundo é criado!

O Prisioneiro

Foi Assim Que Me Senti Escrevendo Escondido na Labuta.
Minúsculo operário,
refém da hierarquia.
Demasiado humano na terra.
Continências; todos abaixo de alguém!
Não! Jamais um mercenário!
Nem existência tardia.
Sou o que sempre erra.
Sou aquele que arrepia.
Sou sujeira atrás do armário!
Sou aquém do aquém!
Estou engasgado na cela da serra!
Onde gritos não ecoam!
Onde as rimas não saem boas.

Não penso em certeza!
Muito menos em verdade vos digo.
Teço teorias!
Onde a certeza encerra!
Onde o chão é escorregadio

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