quarta-feira, 28 de setembro de 2011

O presente do futuro

Parado no meio do movimento


Engolido pelas horas
Ignorando o tempo
Pois o sorriso agora chora
Já foi, quando fora carregado pelo vento
Mas o sonho em meu coração ainda mora

Ação parada, colisão cósmica
Lembranças invadem o pensamento
Lembranças do que ainda não aconteceu
Lembranças turvas de rostos que vejo pela primeira vez

O futuro é o nosso presente do agora...
Vindo do meio do panorama
Do centro do horizonte
Do ventre da arte.
A arte para se ver sem nomear
Sem modelar
A arte de deixar fluir...

terça-feira, 27 de setembro de 2011

Abandonados

Um caminho...
Um labirinto

Um todo
Vazio

Tão tardio e tão frio
Como se nunca fosse tarde para o amanhecer

domingo, 18 de setembro de 2011

Um Pouco Antes do Verão

Um fim de vida em frente a TV
Na solidão
Não...
Nunca se engana o que há de ser
Até o apresentador tem que ver
De cá ou de lá ela virá



Eu nunca soube nada
Sobre as certezas que tenho

Depois estarei procurando
E procurando aquilo que se vai
Na confusão que nunca desdenho
Quando ela se foi?
Foi-se quando a tenho...

quarta-feira, 17 de agosto de 2011

O Museu


Um cálice cheio de gritos
Entorpece todo o povo
Nas reinvenções dos mitos
Num sempre de novo
Para nossos queridos malditos

Afoga-nos em preces, pedidos e prestações.
Atraídos por novos bens empacotados e vendidos
Consumimos-nos em vitrines de ilusões
Olha o mundo de concreto abstraído

Olha pra um amanhã
De almas elétricas sobre o novo tombado
Ao tempo de visitarmos o museu do agora.

Canção Anti-rábica


Orvalho ácido
Sobre flores de vento
No canto do centro
No meio do canto
De um pássaro ávido.

Um objeto de ser
Que uiva na madrugada
Um homem de luxo
Usado por sua armadura.

A áurea pálida, enrugada
Alma reformada, vendida
Fé na eterna partida

E a vida se trata
Apenas como mera estada

Toda paz e beleza submetida
A megera visão de infernos ou paraísos...

quarta-feira, 27 de julho de 2011

Fonte ardente


A beira dos testes,
margeando os resultados.
Não se compara, e assim se deixa.
Ela é o convite: experimente...
Vivencie!

Assim cantava um sonhador:


Sem a finalidade de horror,
com a humildade e coragem
da força do vento dos sonhos

Assim ele cantava.
Ouvem-se cores
Tocam-se os sons
Renovam-se alucinações!
E sons de cores transam interpretações.

Como numa orquestra cheirosa...
Enfeitada por flores musicistas,
escritoras do impossível de pronunciar e
cantoras do que não dá pra escrever.

domingo, 12 de junho de 2011

Eis que Estou em Nenhum e em Todos os Lugares


Voltei até aqui,
Nesse beco sujo
E cheio de flores.
Sujo e cultivadas por mim.

Vim de onde já esqueci,
Quando nunca fui, mas
Eis que estou aqui!

Num lugar que
Pode ser qualquer um...
Pode ser todos
E até nenhum, contudo,
Agora estou aqui!

Fui não sei onde,
Vou não sei quando.

Quanto dos restos me resta?
Quanto de nada tenho?
Quanto das sobras são minhas?
Quando de tudo se pode ter?
Qual a decisão?

O que pensar
Sobre o grito da alma?
O que gritar com a alma?
Ela não vai parar de gritar,
Essa vadia nunca vai se calar:

Qual o rumo onde não há espaço?
Quando? Se o tempo não pode ser marcado...


quarta-feira, 11 de maio de 2011

Jimi Hendrix

Porque o presente parece tão antigo.
Antigos feitos do futuro... Tão impecável...

Está sobre a onda de novidades


Tão velhas quanto às garras da moral!
Para entender basta ligar na rádio da cidade
Novidades para as necessidades do capital:
O bem maligno, o vício insuperável!

Sons velhos, eternos, antigos...
Tão mais novos e pesados e macios...
Entorpecidos tão quanto sadios,
Pura doce hera do experimentalismo!

quinta-feira, 31 de março de 2011

Folia de Março

Era fevereiro...
O mesmo fim do que não tivemos.

Gritos ecoam embriagados,
futilidade idolatrada

com distorções na cabeça...
Solos em pensamentos.
O corpo é o

movimento
Para lá, não fica mais aqui.
Não quer mais ser assim.
Quer ser agora: “se livra-se”!

"Se livra-se”, “se livra-se”, “se livra-se”.
Foge das regras, quer que “se viva-se”!

Manter certa distancia do medo dos fracos
Ver-se no espelho e reconhecer o animal,
a espécie de macaco.
entre os que usam ternos...
e se sentem máquinas.

Fim de Rua Nova.

Ao fim de uma nova rua sem saída.
Ande nas raízes, escolha sua árvore.
Observe a cidade,
fale dela para ela.
Esqueça a explicação...
Lembre-se do amor!

Não se perca no dualismo da paz
o continuo não meia e nem finda.
Fez nada, é todo...
Todo parte junto à tudo.

Os Amantes da Dor

Pálidos bardos belos e sedutores...
sob o manto da revolta,
com as gritos de vingança;
gêmeos dos homens:
pagam com seu sexo a eternidade
no paraíso.

Promoção de Vícios

Pago por meus venenos
E ainda por preços outros
Levo da vida o que penso

Todas as possibilidades para morte
Todas reduzidas a verdades
Leve e vivo as curiosidades
Busco ao Sol sombras,
à sombra busco enxergar minha solidão

Caindo no desfiladeiro
Para desbaratinar o cheiro ascendo um “paeiro”
A cerveja noutra mão,
comprada no buteco no alto da queda,
tinha AMBEV e nenhuma outra opção.
Basta destes contratos baixeiros.
Mas afinal, quem não fuma,
quem não bebe?

A última gota de sangue de úteros antes férteis afoga o nascimento e seca a sede.

Lembrete do Inferno

Líquida cor de sangue seco.
Ao som do nascimento da morte
recebo um beijo doce,
um beijo na porta da casa do cão,
um beijo de boa sorte...

Ela tinha um único desejo e foi vão!
Foi entorpecido de gracejos
para ser um mero feliz,
e ela uma eterna atriz
que vive de sucessos esquecidos.

Esqueço o que ainda vou aprender

Deitado sobre os pés
Desato os nós dos dedos
Aprecio doses de medos
Imagino sentidos da fé

Quem busca uma realidade perfeita não enxerga a beleza de um defeito.

Os gritos... Os escuto aqui de cima

Escondido de todos,
Exceto de desencantos
Pois estão todos aqui junto comigo
Sem sombras refugiados nesse canto.

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