sexta-feira, 11 de dezembro de 2015

Gestações.



Quero agradar desagradando
para o despertar de
novas dúvidas.

Vejo-as,
não consigo

parar de olhar.

Desejo-as,
não posso ignorar!

Apaixono-me por todas elas,
minhas doces dúvidas.

Tão misteriosas
e tão belas.

Trato-as bem
numa orgia cheia de
selvageria, amor
e carinho.

Transamos
no nosso ninho até

todas ficarem grávidas e
esperamos...

Esperamos todos juntos
pelo nascimento das minhas
novas compreensões e dos meus

novos entendimentos.

Artesanato.



Encomendaram-me cinco poemas
como se essa arte fosse
tão superficial quanto
matérias e reportagens.

Cinco poemas em cinco dias...

Não que a quantidade
ou o tempo sejam problemas.
O que me incomoda é o ato
da encomenda, é a falsa
nobreza deste desafio.

Mas, aqui está! Eis o primeiro
meu amigo traiçoeiro. Como pode
me amaldiçoar assim?

Maldito Poeta.



Arrogante que empunha
flores contra os 
horrores dos meus canhões.

Um verdadeiro mentiroso,
um grande enrolador.

Pensa que suas chulas
rimas são belas canções,
enquanto escreve besteiras,
asneiras e tolices.

Este poeta é a escória em si,
nega o ódio como salvação

e crê em estranhos ângulos
de amor e igualdade,
onde todas as diferenças são
aceitas e todos os desejos
respeitados.

Maldito idealista!

Tolo poeta! Pobre
escravo da constância
de suas hipocrisias.

Escreve contra a raiva,
contra as fobias. E assim

fomenta as perversões e
todas as espécies
de putarias!

Eu odeio este acéfalo
metido a poeta.
Não o suporto!
Não o aturo,
não o tolero.
Quero distância.

Aquelas suas coisas sem sentido
nunca passaram de lixo,
de alienação e de fantasias.

Maldito seja este cretino!
Este mesmo, que
reescreveu meu ódio
e minha ira, transformando-os
nestas rimas. Maldito poeta
que me escreveu esta poesia.
Minha “timeline” está
na linha de fogo
de batalhas
ideológicas

travadas entre
legiões individuais
tão parecidas quanto
dispersas... Distraídas!
E tão, tão distantes.

Sobre poetas e leitores.



Podem ser elas ou
eles. Podem ser peludos
ou pelados, podem ser verdes,
azuis, laranjas e até colorados.

Podem ser de lá ou
de cá, de cima ou
de baixo.

Da esquerda ou da
direita... Poetas vêm
de todos os lados!

Não são
estereotipados. Apenas sujos,
imundos, limpos e,
ao mesmo tempo,
infectados e esterilizados.

Nunca ficam quietos
ou calados. Rimam e rimam
aos sussurros e aos berros e
tudo isso rabiscado.

Rimas tortas e sem nexo?

Poetas podem ser
caretas ou chapados. Podem
ser um pouco de cada e
um tanto de nenhum...

Como uma viagem
compartilhada.

Pois saiba:
Poeta também é você!
Sim, é você que lê
e a quem deixou tudo
livre a ser interpretado.

No mais, muito obrigado.

Machismo



Ele ainda está enraizado...  Incrustado,
impregnado e repulsivo!

Interagindo com todos os mandos e
desmandos da vulgaridade dos homens.

Escondido atrás dos cargos e encargos,
da rotina dos lares e das tradições
dos altares.

Escondendo o amor e o desejo
atrás de uma cortina de
insegurança
e medo.

Tal qual vergonha
ressoa como sofrimento. Protegido
pela submissão das vítimas:

Ele ainda desfila, é
estupidamente normal, como
a atitude de um mero
boçal que só pode se desconstruir
após se enxergar e se reconhecer.

Gritos e Ecos



Grito torto, vago e
Engasgado. Grito fraco,
tosco e conservado...

Gritos injuriados,
polidos, raivosos,
baixos e abafados. Gritos

que nascem esquecidos.

Berro bárbaro,
banhado em ofensas.
Por ódio entorpecido.

Grito desesperado, fardado com
o velho insulto generalizado:

tanto a revolta quanto o apoio,

apenas ecoes de gritos
já calados.

Pesadelo Ideal

Pesadelo Ideal

Sonhei escrever poesias
cheias de certezas, recheadas
sempre e apenas com as
mais lindas perfeições e belezas.

Sonhei ser raso, suficientemente
raso para atingir as profundezas
das massas. Sonhei um pesadelo!

O pesadelo de um mundo
sem dúvidas, aventuras e
incertezas.

O pesadelo de uma vida
ideal, um distúrbio fruto
vertiginoso oferecido pelo
"Deus Capital".

Mas, ao despertar
vislumbrei a perfeição
como ápice do fútil e aquém
do além de toda e qualquer
experiência
real.
Após o fim dos fogos,
quando a fumaça
finalmente se dissipou no céus,
contemplei perplexo,
atrás do imundo véu,
o verdadeiro espetáculo:
as estrelas.
A incompetência
está ali. Observe!
Ela está logo ali,
incontida, livre
triste e envergonhada.

Escondida atrás da falta
de criatividade, simpatia
e bondade daqueles que
vivem criticando os outros.

Dinheiro não compra felicidade e muito menos manda buscar, pois a arte da felicidade consiste na própria busca.

As comemorações, os sonhos, as esperanças, os propósitos e muito menos as chances de recomeço se limitam ao Ano Novo ou a qualquer outra data. Afinal, o tempo não existe e nunca existiu além do entendimento humano. Dos segundos às horas, dos dias aos milênios, todas as divisões do continuo são apenas buscas desesperadas pelo controle do incontrolável.
O que existe é a constância indivisível, imensurável e, consequentemente, impossível de assimilar. Tudo que realmente existe é o agora. Portanto, desejo instantes repletos de possibilidades, desejo a todos vocês um feliz agora sempre novo!

Sonhos de pesadelos.


Sonhou costurar palavras,
tecer frases,
sonhou escrever poesias
cheias de certezas, recheadas
apenas e sempre com as
velhas noções de beleza.
Sonhou ser raso, suficientemente
raso para atingir as profundezas
das massas. Sonhou um pesadelo!
O pesadelo de um mundo
sem medo e sem incertezas.
O pesadelo de uma vida
ideal, um distúrbio fruto do
doce venenoso do "Deus Capital".
Sonhou um pesadelo
ideal. Mas, só após
despertar pôde vislumbrar
toda aquela perfeição como
algo fútil, algo muito aquém
do além da experiência real.

A solidariedade é benéfica para todos! Uma ação fantástica, capaz de proporcionar o bem tanto para quem recebe quanto para quem doa.

Conhecimento é uma das várias exceções à frase feita: "Tudo em excesso faz mal".

Uma poesia começou a circular na internet.
Logo nos primeiros dias, ela se tornou viral!
O conteúdo trazia um conhecimento
capaz de derrubar reis,
ditadores e impérios.
Porém suas palavras não traziam nenhum mal
Elas não faziam qualquer julgamento,
muito menos algum moral.
Um conteúdo simples, mas não fútil,
leve e muito sério.
Não havia mistério,
passava longe de ser novidade.
Entretanto, estava além das mentiras
e também da própria verdade.
E uma palavra se destacava, trazendo
em si todas as rimas e todas as sinas.
Uma pequena grande palavra que todos
já imaginam, repleta de significados,
capaz de traduzir o indecifrável.
Um conceito mais antigo que os próprios séculos e os milênios,
que reúne em si todas as interpretações, que reúne
em si todas as crenças e religiões.
Uma palavra
maior e que inspirou todos os deuses:
Uma palavra chamada
amor.

Na atual sociedade de consumo, ou vivemos uma contradição ética constante ou somos simplesmente idiotas.

Nada Haver?


Na confusão voraz do amor
nos encontramos para
desconforto da inveja.
Encontramo-nos na
impossibilidade
do nosso agora.

Pois somos abençoados
pela sinceridade
de tudo que não
interessa a mais
ninguém.

O sorriso das lágrimas.


Não entendo e dou gargalhadas de desespero,
é que costumo rir da cara da tristeza.
Mas, depois ela dá o troco... Sempre!
E vem arrebatadora tal qual saudade,
derruba todas as minhas certezas
e me acusa de insanidade,
como se fosse possível
existir apenas um culpado...
Eu ainda às gargalhadas
e ela permanece gélida, calada,
preparando sua rasteira,
sua cilada.

Palavras insanas escorreram do canto de sua boca e mancharam o nosso lençol de indiferença.

Palavras insanas escorreram do canto de sua boca e mancharam o nosso lençol de indiferença.

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