quinta-feira, 8 de dezembro de 2011

Sua Poesia

Caminho aberto
Vulgar como o destino da liberdade.
Alerta como um soldadinho marrom
Sendo engolido pelas regras,
Vestido de medo e esperança.
Marchando para lugar algum
Como um grande vídeo-game,
Um remédio para nossa solidão criativa.
Como se todos nós fossemos especiais
Mas todos estamos limitados, sempre...
Aos nossos iguais.

domingo, 27 de novembro de 2011

Apenas Querer

Sempre dizendo que não tem tempo
Todos os dias trazendo desculpas
Interpretadas diante do espelho

Com esculturas talhadas no vento
E telas em molduras ocultas
Como alguém que nunca seguiu o coelho

Separação

O que você fez com todo o amor?
Com todo aquele fogo que era nosso.
Que nos acendia e agora apenas arde...

Não posso entender,
Fui sincero, até em minhas mentiras,
Tentei dizer...
E disse de muitas maneiras
Mas em tudo que eu dizia
Você defendia como besteira

Você preferiu não entender
Preferiu me ver sem enxergar...
Deixou de gozar e nos enganou.

Não quis saber de portas
E nem de percepções
E agora, como sempre foi...
Culpamo-nos bem lá no fundo
Bem lá onde o amor foi ilusão.

segunda-feira, 21 de novembro de 2011

Carta em Branco

Quando tudo se quer
Qualquer coisa nos possui

Quando tudo tiver...
Será mais um que tudo que rui

Como um império que induz
Para se querer um novo profano
E mais um outro novo puro

Seria como seguir o caminho para a Luz
De alguém que nunca andou no escuro...

Quando não há mais amor

Eu queria saber todos os seus desejos,
Eu queria que você soubesse todos os meus

Precisava entender tudo que disse
Precisava que entendesse tudo que falo

De lugar nenhum para destino algum

Como um ônibus
Vazio e lotado de destinos
Do calor do Brasil
Aos infernos Andinos
Tão triste quanto o anil
Mais sério que mil
Que um milhão de sorrisos
Abrem-se para engolir lágrimas
Quando é mais fácil chorar
Quando é mais fácil reclamar
Mais fácil que sorrir
Mais simples que agradecer

terça-feira, 15 de novembro de 2011

Oração para a Intolerância


ORAÇÃO PARA A INTOLERÂNCIA

Viva sempre no equilíbrio.
Viva toda vida na paz.
Seja um ser todo de amor

...

Assim, ignore tudo que se aprende caindo,
Esqueça tudo que se aprende lutando
e despeça-se do saber que suprime o ódio.

Os príncipes do infinito já deram seu sangue.
E por milênios... Calados o aguardamos.
Ouvindo homens em palcos de sonhos.
Recitando livros e livros dourados.
Em mais uma releitura para outro contemporâneo.
Vendendo sempre novos eternos.
Enfeitados de velhas doutrinas reconfortantes.

terça-feira, 8 de novembro de 2011

Pateta


Os poetas não sabem amar
Ou é a natureza do amor que é desconhecida?

Quantos corações ainda serão partidos...
Quantas serão as partidas
Quantas vezes vão rachar, ainda o meu
O que fazer com tantos pedaços
Além de tecer palavras?
Além de tentar inspirar,
Contos que não contam o segredo de amar...

Quantos corações serão necessários
Para as rimas dos poetas?

Quantas poesias são necessárias
Para uma receita de amor?
Uma receita que sacie a intolerância
Que mate a incompreensão?

Uma refeição para saciar a arrogância.
A minha, a sua e a de todas elas

Uma refeição nossa...
Pra comermos juntos à mesa
Depois de consumirmos todos os nossos sonhos.

Lindos Imperfeitos


Nós nos escondemos em verdades
E nos acolhemos um no outro,
Nós nos encontramos naquela primavera
Bela e florida, de tempos esquecidos.

Nossos beijos, nossos corpos
Nossos desejos livres na confusão de toda a certeza.
Que recai como uma garoa de propósito.

É o doce sabor de um encontro ideal!
Tua pele, meus olhos, teus lábios, meus sonhos...

Tudo está perfeito, tão doce e tão superficial.
Tão distante do que pode ser real.
Tão belo quanto à loucura,
Tão nobre quanto à bravura.
Tão como uma grande duna...
Correndo entre os sete ventos
Mudando a todo tempo

Nós nos tornamos um só corpo
Num só movimento, na explosão do prazer
Na explicação do amor...

Uma mortal busca pela eternidade
Em momentos de absoluta certeza...
Em instantes para os nossos
Mais lindos monumentos
Edificados sobre as ruínas
Das nossas próprias sinas...

Filhas de toda a perfeição
Que congelou depois do inverno...
E se foi ainda no verão.

quarta-feira, 5 de outubro de 2011

Códigos de Luz


Quando a vontade é
fazer todas as coisas
É quando faço nenhuma

Quando quero agradar a todos
Não agrado nem a mim mesmo

Preciso de algum tempo só
Pra estar bem junto de alguém

quarta-feira, 28 de setembro de 2011

O presente do futuro

Parado no meio do movimento


Engolido pelas horas
Ignorando o tempo
Pois o sorriso agora chora
Já foi, quando fora carregado pelo vento
Mas o sonho em meu coração ainda mora

Ação parada, colisão cósmica
Lembranças invadem o pensamento
Lembranças do que ainda não aconteceu
Lembranças turvas de rostos que vejo pela primeira vez

O futuro é o nosso presente do agora...
Vindo do meio do panorama
Do centro do horizonte
Do ventre da arte.
A arte para se ver sem nomear
Sem modelar
A arte de deixar fluir...

terça-feira, 27 de setembro de 2011

Abandonados

Um caminho...
Um labirinto

Um todo
Vazio

Tão tardio e tão frio
Como se nunca fosse tarde para o amanhecer

domingo, 18 de setembro de 2011

Um Pouco Antes do Verão

Um fim de vida em frente a TV
Na solidão
Não...
Nunca se engana o que há de ser
Até o apresentador tem que ver
De cá ou de lá ela virá



Eu nunca soube nada
Sobre as certezas que tenho

Depois estarei procurando
E procurando aquilo que se vai
Na confusão que nunca desdenho
Quando ela se foi?
Foi-se quando a tenho...

quarta-feira, 17 de agosto de 2011

O Museu


Um cálice cheio de gritos
Entorpece todo o povo
Nas reinvenções dos mitos
Num sempre de novo
Para nossos queridos malditos

Afoga-nos em preces, pedidos e prestações.
Atraídos por novos bens empacotados e vendidos
Consumimos-nos em vitrines de ilusões
Olha o mundo de concreto abstraído

Olha pra um amanhã
De almas elétricas sobre o novo tombado
Ao tempo de visitarmos o museu do agora.

Canção Anti-rábica


Orvalho ácido
Sobre flores de vento
No canto do centro
No meio do canto
De um pássaro ávido.

Um objeto de ser
Que uiva na madrugada
Um homem de luxo
Usado por sua armadura.

A áurea pálida, enrugada
Alma reformada, vendida
Fé na eterna partida

E a vida se trata
Apenas como mera estada

Toda paz e beleza submetida
A megera visão de infernos ou paraísos...

quarta-feira, 27 de julho de 2011

Fonte ardente


A beira dos testes,
margeando os resultados.
Não se compara, e assim se deixa.
Ela é o convite: experimente...
Vivencie!

Assim cantava um sonhador:


Sem a finalidade de horror,
com a humildade e coragem
da força do vento dos sonhos

Assim ele cantava.
Ouvem-se cores
Tocam-se os sons
Renovam-se alucinações!
E sons de cores transam interpretações.

Como numa orquestra cheirosa...
Enfeitada por flores musicistas,
escritoras do impossível de pronunciar e
cantoras do que não dá pra escrever.

domingo, 12 de junho de 2011

Eis que Estou em Nenhum e em Todos os Lugares


Voltei até aqui,
Nesse beco sujo
E cheio de flores.
Sujo e cultivadas por mim.

Vim de onde já esqueci,
Quando nunca fui, mas
Eis que estou aqui!

Num lugar que
Pode ser qualquer um...
Pode ser todos
E até nenhum, contudo,
Agora estou aqui!

Fui não sei onde,
Vou não sei quando.

Quanto dos restos me resta?
Quanto de nada tenho?
Quanto das sobras são minhas?
Quando de tudo se pode ter?
Qual a decisão?

O que pensar
Sobre o grito da alma?
O que gritar com a alma?
Ela não vai parar de gritar,
Essa vadia nunca vai se calar:

Qual o rumo onde não há espaço?
Quando? Se o tempo não pode ser marcado...


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