sexta-feira, 21 de março de 2008

A Fabulosa Máquina de Sonhos

A mãe mistura os ingredientes.
A filha prepara o forno.
Elas se viram, param frente uma a outra.
A menina escancara um sorriso engrenado
por um terno beijo em sua testa.
Os sonhos estão prontos!
Logo ali, junto aos livros da menina!
ao lado do forno...

quinta-feira, 13 de março de 2008

Hora Sagrada (experimental)

HORA SAGRADA EXPERIMENTAL

FILHO: _A janta ta pronta mãeee?
MÃE: _Ta quase filhooo!

TV: _Hoje após Intrigas e Ódio no Jornal Na...

FILHA: _Mãeee! O Zezinho arrancou a cabeça da minha boneca!
MÃE: _Zezinhooo! Sua idade de amolar sua irmã já passou!
FILHO: _Mãeee não arranquei nada!
MÃE _Sossega filho senão não faço sua bisteca!

TV: Plim, Plim

PERSONAGEM DA TV 1: _Enfim vocês vão se casar! Chega de contra tempos.
PERSONAGEM DA TV 2: _Pois é, e que contra tempos! Pensei que ia perder o grande amor da minha vi...

FILHA: _Ó Mãeeeeeee! Ele mato a Rebeca!
MÃE: _Não matou querida Sol? Olha, é só
encaixar... Pronto ó!

MÃE: _Filhinha já disse pra você não da bola pra aquele sapeca.
_Agora lindinha fica quieta! Deixa a mamãe ver novela!

PERSONAGEM DA TV 2: _ Mercedes ela vai chegar a qualquer momento!
Dim, dom... Dim, dom...
PERSONAGEM DA TV 1: _ Vou abrir a porta. Com sua licença senhorita.

PERSONAGEM DA TV 1: _Bom dia Ana Luiza, a senhorita Flora aguarda na biblioteca
PERSONAGEM DA TV 3: _ Bom dia Mercedes? Sabe! Voltar aqui é sempre um tormen...

FILHA: _Mamãe olha! Saindo de trás do armá...
MÃE: _Quieta Sol, vamos ouvir!
FILHA: _Mamãe olha é uma lagar...
MÃE: _ Poxa vida! Deixa mamãe assistir!
FILHA: _Mamãe ali ó, uma lagarti....
MÃE: _Sol, cala a boca que hoje a Ana Luiza vai ser desmascarada!


PERSONAGEM DA TV 3: _...li a carta Ana Luiza!
PERSONAGEM DA TV 2: _Mais de que carta você esta falando Flora?
PERSONAGEM DA TV 3:_Não se faça de desentendida, é dessa carta aqui que falo...
PERSONAGEM DA TV 3:_Escrita por você enviada para Pedro Mourão...

TV: Plim, Plim

NARRADOR: _O silencio reina nos cenários
Ela brilha a mais de meio centenário
A mãe hipnotizada
Conduz a filha para a luz alienada...
A cabeça da boneca ta esfolada
A menina grita irritada.
Zezinho está tranqüilo, tiros são ouvidos,
O vídeo game está ligado!
Da rua uma buzinada,
Do micro ondas uma apitada
E da luminosa só propagandaiadas.
Todas captadas mesmo em meio a toda barulhada
Passos largos e pesados,
O chefe da família chega reclamando do dia agitado.
Vê uma linda garota molhada lavando
Um novo modelo de carro importado
E o homem fixa os olhos; seduzido...
Ela brilha, fala, canta e é tudo tão colorido.
Sua atenção é atraída, sua mente é distraída...


MÃE: _A janta esta quase pronta viu Lucas!
_Pode se sentar filhinha linda!
PAI: _Zezinhooo! Vem janta rapaizin...

TV: Plim Plim... (Abrindo a ordem paterna)

NARRADOR: Estão sincronizados, que baderna!
O trabalhador honesto e barbado,
Mais um exemplo categorizado.
Mais um membro controlado.

PAI: _Agora todos quietos!
_Comam em silêncio!
_Vai começar mais um...
_... mais um Jornal Nacional...

FILHO: _Pai! Pai! Hoje no clube eu fiz o go...
PAI: _Quietinho filho! To vendo o noticiário!
FILHO: _Mas pai é que ho...
PAI: _ Será possível? Todo dia! To cansado
de pedir que se calem nesse horário.

TV: _Tan, tan, tan, tan, tan,Tan, an, an, an

PERSONAGEM DA TV 4: _ Boa noite, estamos começando mais um Jornal Nacional
PERSONAGEM DA TV 4: _ Um urso polar é encontrado passeando nas savanas africanas...

domingo, 2 de março de 2008

Viaje !

Alguns degraus atrás deste em que pisamos,numa cidade coberta de cinzas.
Com ruas e casas cinzentas,
de arquitetura toda padronizada
e gente não menos acinzentada.

Fábricas quadradas cospem veneno
e toda imaginação é envenenada
o inconsciente coletivo é mecanizado,
operários são semi escravizados,
pelo trabalho fabril são alienados.

Os patrões e os sabichões no idealismo são encarcerados,
seus conhecimentos são anuviados pela segurança
de que tudo são fatos e nada pode ser imaginado.

Na Solar de Pedra o professor descriminaa beleza,
a magia e a alegria do circo.
Só fatos, isso é tudo que ele ensina!

Crianças, jovens, operários, patrõese tudo,
até o além de todas as suas relações...
Tudo explosivamente comprimidoem cápsulas de segurança
espalhada por toda aquela vizinhança.
O mundo acabara de ser conquistado.
A máquina havia proliferado,
o tempo esta marcado,
ela esta pra tudo que lado,
em crenças e pensamentos,
naqueles difíceis tempos...

terça-feira, 26 de fevereiro de 2008

Esquizoviagem

Estou num caldeirão fervente.
Não deliro de dor,
é tudo positivo, é inconsciente.
Não sinto falta nem nostalgia
ou qualquer dos maus,
sou uma das bolhas estourando em caos.

Gozo em estímulos
Inflo até estourar então
sou gotas a mergulhar
e novas bolhas vou formar.
Sou a evaporação
e vôo até me condensar, até cair.
Sou o devir...
Sou no caldeirão, sou no ar!

sábado, 23 de fevereiro de 2008

Cidadã da Babilônia de Solidão

Navega entre ofertas,
pesquisa preços, mantém contato com vendedores,
é cliente antiga de muitos neo mercadores.
Compra tudo que precisa e tudo quanto é besteira
coisas de todos os valores.

Mais não é mulher gastadeira.
Cria rios de ofertas, negocia preços e fecha sempre bons negócios.
É empresária, é jovem, é linda e bem sucedida.
Estuda estratégias, lê muito, malha e fica pouco tempo no ócio.
No entanto não tem admiradores,
amigos, amantes ou amores.

Arrebata olhares de Venscesláu, noventa e cinco anos, porém exímio jardineiro.
Robin, como prefere ser chamado, é atento caseiro e delicado cozinheiro. Ele sempre a admira e contempla. Em comum com a patroa a juventude, a educação, a beleza e a atração por homens. A faxineira é a lavadeira que é viúva beata.
De vez em quando vê os vultos na guarita. Vultos que assistem a transmissões de muros e portão. Esses garantem a maior de suas ilusões.

A vizinhança é só gente de classe,
está atrás de muros altos com cercas elétricas e vigias sem face.
Não tem crianças brincando na rua.
Pela janela apenas belos carros blindados com vidros sufilmados
refletem a máscara que a poluição cede ao sol e a lua.

Ela esta entediada,
sente falta de cultivar amigos;
mais falta ainda de ser desejada.
Contudo, ainda prefere viver acoitada;
não freqüenta clube, teatros, cinemas,
lojas e muito menos cai nas noitadas.

Dois anos é pouco pra esquecer:
Roubada, seqüestrada,
espancada e violentada,
um inferno exagerado
com início na saída de um belo shopping.

Uma princesa dominada
em sua segura carruagem encantada.
Foi logo ali! Menos de sete quadras...

Agora vive conectada, trancada , sozinha e calada.

quinta-feira, 21 de fevereiro de 2008

Fantasmas

Sem estereótipos horripilantes.
Vivo fantasmas!
Sem maquiagens, sem show de horrores.
Sinto fantasmas!
Alguns sadios outros de dores.
Sim, vejo fantasmas!
Alguns de consumo outros criadores.
Sonho fantasmas!
Alguns inomináveis, encantadores, sedutores!
Fantasmas obscuros e cintilantes.

Viajo com fantasmas...
Fantasmas uniformizados de desejos tolos.
que conduzem ônibus de linha.
com hora de chegada, com hora de partida.
Fantasmas que voam para o novo,
pilotam zepelins sem bússolas.
Nus, sem formas, uniformes ou fantasias.

Às vezes me sacio de desejo num festejo fantasma.
Taças com veneno misturam-se com as de água na bandeja,
depende muito do que o convidado almeja.

Fantasmas seguem os desejos.
Alguns apreciam repetições...
Vivem da “conservação do consagrado”.
Outros curtem é novidade!
“Vivem perigosamente”,
duvidam da segurança da estabilidade.

domingo, 10 de fevereiro de 2008

Por Um Terror Novo

A cabeça da sedutora de vítimas para o leilão
é tocada por crianças no chão. E é gol!
Uma vítima tem condição de negociar sua absolvição
Uma vingança, um negócio fechado com o chefão...
Escapa da tortura com a tatuagem da pele até o coração.

Vítimas levadas para saciar a vontade de matar
Vitimas da sede do poder sobre a vida,
mercadorias de uma empresa da morte
com empresários faxineiros, vigias e artistas.

O homem no trem admira e o jovem se assusta.
No bar o jovem se desculpa.
Na fábrica o homem o tortura.

Da fábrica que produz o inferno
onde os demônios são a elite dominante
uma fuga alucinante e
mais uma cabeça na sala cintilante.

O som é contrastante,
é envolvente
é delirante
é entorpecente!


Na fábrica de homens e mulheres da morte,
Não existe rancor contra indivíduos
É rancor de outro ou de todos.
É medo do medo de ser fraco,
é desejo de ser forte.

Visão das vítimas!
Visão dos assassinos!
As vítimas se tornam vingativas; mostram-se assassinas!
Os assassinos vão se redimindo
se rendem e encenam o doentio.
É obra que encerra o dualismo!

“_Você não tem família?”
“_Não tem uma esposa?”

“_Minha esposa?”
“_Minha esposa?”
“_Não posso matar minha esposa”

É pra sentir, é pra temer todo o contexto.
Alguns se ofendem com a nudez e violência.
É o susto da nudez de uma possível vivencia.
Outros ruminam, admiram toda a obra,
Ovacionam todo o caos da complacência.

quinta-feira, 7 de fevereiro de 2008

Ficção Travestida

A mega seleção dentre muitos é por pouquíssimos!
Sorteio se tem, é raríssimo!
Confinados, trancados de papel assinado!
Contrato que devem interpretar, que devem digerir.
Cortes e edições conduzem sugestões.
Mais a platéia não pode suspeitar, deve engolir.
Nascem heróis com poderes temporários.
Duram um breve tempo depois que saem do cenário.
Então servem para despertar desejos publicitários.
Heróis que confortam a platéia;
o conforto da crueldade em cena.
Nua esta toda baixeza,
toda a maldade da vida artificial é vendida como real,
simulando intrigas em um ambiente áudio visual.
(onde amizade está diluída na fama e na riqueza)
É uma república que conforta a platéia nas incertezas...
Porem uma coincidente contradição:
Também é uma república de gentilezas de gente que ama.
Não, isso não me engana!
Tudo faz parte do enredo fantasma, da invisível trama.
Nada de realidade, apenas uma camuflada ficção!

domingo, 27 de janeiro de 2008

Cover´n´roll

Numa vila, num bar, ele entoca e ainda toca
na trincheira entre balas e baladas passageiras.
E lá ilumina feito estrela, feito sol, feito fogo,
é fogueira em cinzas onde ovo é centelha.
Voa ave mitológica, voe acima de ondas mercadológicas,
vôo clássico, vôo entre solos mágicos!

quarta-feira, 23 de janeiro de 2008

Lados


_______Este lado é para baixo.___________

____________Este lado é para a esquerda.

Este lado é para a direita.________________

_______Este lado é para cima.___________

segunda-feira, 21 de janeiro de 2008

comunic@c@o

www www
www www www
www www www www
www
www www www www www

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. . . .
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. . . . .

com com
com com com
com com com com
com
com com com com com

domingo, 20 de janeiro de 2008

Remoto Controle

Acorda tarde e liga ainda deitado, nesse dia em especial estava descansado. Nos demais carrega alguns quilos de horas e liga sempre cansado.
Nesse dia em especial pensou:
Aqui estou repousando, sentado, calado e distraído. Ascendo tudo que esta distante, tudo que não posso ir ver, tudo que não posso confirmar. Desejo algo imaginado, imaginado para ser desejado. Não imagino mais o ali e a mim, idealizo-me lá...

É pra comer, é pra beber,
é pra vestir, é pra conquistar, é pra possuir...
É pra idealizar, é pra ouvir
É pra invejar, é pra ser...
Tudo pra ver e crer!

São poucos os que ditam o desejo massificado
Quanto idealismo...
Tanto consumismo...
Rebanho cansado e calado.

sábado, 19 de janeiro de 2008

A Cura

Olho para a ferida, ela sangra.
Me lembro da dor da vida; ela arde em chamas de pus
Encaro a ferida que por uma puta idealizada foi parida.
É a derrota da tristeza que me conduz...
Abaixo a cabeça, curvo-me e olho sua alma,
vou com calma e temo que a fraqueza apareça
Ignoro o medo de saber qual é a cura e o nojo que seduz.
Parece descabido: Abro a boca e meto-lhe a língua
Mais é cabido: Estou quieto lambendo minha própria ferida.

O Chato

Desliguei a tv abri um livro para ler e passei a ser um chato!
Meu cabelo cresceu, minha barba endureceu e passei a ser um chato!
Cansei de escuta, agora eu quero grita e passei a ser um chato!
Deixei de consumismo, agora eu quero é sentir e passei a ser um chato!
Do passado nos esqueci, no presente me perdi e passei a ser um louco!
To em São Tomé, no carnalfenas eu não ponho o pé, e passei a ser um chato.
O rebanho eu abandonei, um salto pela cerca projetei, e passei a ser um chato.

Pra o cordeiro, chato sempre vamos ser, mal falados; podem crer! Pois os hábitos estão consumados. Pelo pensamento condicionado estamos sendo julgados.
***
O Chato - adptação para a Caravana da Livre Expressão Poemática (21-10-2008)


Desliguei a TV abri um livro para ler e passei a ser um chato!
De novelas me livrei numa biblioteca me encontrei e passei a ser uma chataMeu cabelo cresceu, minha barba endureceu e passei a ser um chato!
O cabelo não alisei, na chuva eu dancei e passei a ser uma chata!Cansei de escuta, agora eu quero grita e passei a ser um chato!
Cansei de engoli, agora eu quero é cuspir e passei a ser uma chata!Deixei de consumismo, agora eu quero é sentir e passei a ser um chato!
A moda eu ignorei, meu próprio estilo busquei e passei a ser uma chata! Do passado me esqueci, no presente me perdi e passei a ser um louco!To em São Tomé, em micareta não ponho o pé, e passei a ser uma chata.O rebanho eu abandonei, um salto pela cerca projetei, e passei a ser um chato.Pra o cordeiro, chato sempre vamos ser, mal falados; podem crer! Pois os hábitos estão consumados. Pelo pensamento condicionado estamos sendo julgados.

Ai Léo! Porque somos chatos?
Acho que a gente enche o saco dos outros cara!
É ! Eles temem que o saco estoure e que todas as certezas se percam.
Podes crê irmão! Temem que o sentido da normalidade de suas vidas vá pelos ares.
Se formos loucos ou chatos, que todos gritem até ficarem roucos!
É isso ai Tocha! Não nos importamos nem um pouco.

E PASSEI A SER UM CHATO !

domingo, 13 de janeiro de 2008

Rio dos Amores

Desfrute desse nosso rio,
e como um rio, ele traz fartura...
Sacia a sede e é sempre cheio de peixes.
Venha nadar contra a correnteza,
nele isso não é tortura!

Rio profundo, calmo e cintilante
onde gôndolas flutuam com amantes...
Mergulhe, navegue, e até afogue-se
nesse rio de magia inconsciente,
cuja a nascente é dentro da gente.

Toda magoa são águas passadas;
não podem nos banhar.
Toda água é do agora
e agora vamos mergulhar

Seja um rio de boas lembranças...
Seja um rio de sonhos e esperanças...
Lança-se no rio sempre agora...

Uma Visão

Vejo tudo derretido, fundido!
Sempre foi, mas só agora vejo

Tudo como um quadro de Picasso
Cubos unidos em estilhaços.
Vejo tudo surreal daqui,
como uma obra de Dali.

Não sei dizer onde estou.
Mas tudo respira junto comigo...Ua!

quinta-feira, 10 de janeiro de 2008

Famílias

A Grande

Imaginação é mãe...
Sonho é pai...
Paz é filha ...

A Pequena

Expectativa é mãe...
Idealização é pai...
Decepção é a primogênita...
Frustração é o do meio...
Depressão é a caçulinha...

sexta-feira, 4 de janeiro de 2008

Eu Sou da Sarjeta

Se você não precisa de ouro no trono
e nem de mesa ou cadeira,
se ajeita na sarjeta sem marca bobeira;
reina como rei da terra sem dono.

Toma um destilado puro, sem gelo!
(como deve ser apreciado)
Sentado, sem querer ser mais que ninguém
Calado, nunca deixando de ser alguém
Não esta nem um pouco preocupado
com aqueles que esbanjam ao lado.

Ó sarjeta! Trono de todos e de ninguém,
canto no mundo que acolhe o rico e o pobre.
Recebe o negro, o branco, o vil e o nobre,
acolhe todos sem desdém.

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